VENDO BUDDHA EM TODA PARTE Posted on 08 Sep 20:37 , 0 comments

A busca espiritual começa com um impulso que vem de dentro. Uma força interna nos leva a procurar por algo que, apesar de ser inicialmente “desconhecido” para nós, sentimos que aguarda nosso encontro. Não sabemos muito bem o que procurar nem como, mas no meio da incerteza sobre aquilo que temos de encontrar se vai dando a busca e com ela crescem a segurança, a determinação e a coragem necessárias para encontrar o desconhecido que nos é familiar.

Passamos longos anos e vidas numa intensa jornada até perceber o óbvio. Procurar conhecer o desconhecido é a forma de nos conhecermos a nós próprios. E por vezes nos perguntamos como gastamos tanto tempo para ver que a felicidade, o conhecimento e a paz sempre estiveram em nós. Mas o tempo nunca é perdido. Esse é o período necessário para que a semente da sabedoria germine.

A semente contém a árvore e os seus frutos e do mesmo modo em todos nós há oculto um eu sábio e universal . Como o Zen coloca: “O reino dos iluminados não é um reino externo, com caraterísticas manifestas; a Budeidade [o budado] é o reino do conhecimento sagrado dentro de cada um.” [1]

A semente necessita de terra, sol, água e outros elementos para germinar, ganhar raízes, avançar em direção ao alto, se transformar em árvore, e dar frutos. Também nós necessitamos de certas condições e de tempo para que a árvore da sabedoria ganhe raízes, cresça, amadureça e a energia búdica possa ser reconhecida em tudo o que existe. Só então passamos a ver todo espaço como sendo divino.

O livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos, diz o seguinte sobre a prática da presença divina:

“As dificuldades (…) são mais aparentes do que reais. Estão no efeito hipnótico que o mundo externo tem sobre nossa consciência, e na nossa preocupação excessiva com nós mesmos.” [2]

E o mestre Zen Dahui ensinou:

“…O que precisais de fazer é limpar a influência das ansiedades psicológicas ligadas ao mundo externo que se tem acumulado na vossa psique desde tempos imemoriais. Tornai a vossa mente tão amplamente aberta quanto o espaço cósmico…” [3]

A busca espiritual é um processo de autopurificação e autoconhecimento através do qual nos desprendemos das ilusões e nos conectamos com a essência da vida. “A Voz do Silêncio” diz:

“…A mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões. Tenta, ó iniciante, unir tua Mente e tua Alma. Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo…”

E ainda:

“…Dentro do teu corpo - o santuário das tuas sensações - procura, no Impessoal, pelo 'Homem Eterno'; e, depois de localizá-lo, olha para o teu interior: tu és Buddha.” [4]

Por vezes procuramos fora de nós aquilo que está sempre conosco. Mas todo esforço feito no sentido da verdade é útil e aquele que caminha com humildade e perseverança acaba se encontrando.

O Sutra da Ornamentação Florida ensina:

“Não vejais Buda num fenômeno, num acontecimento, num corpo, numa terra, num ser – vede Buda em toda parte.” [5]

O caminho vai mudando à medida que seguimos nossa viagem pela vida. No entanto, ele não tem fim e a busca nunca acaba. Mesmo encontrando o que tanto procurávamos, novas dimensões do caminho se abrirão diante de nós. A essa altura já não procuramos por algo que sentimos ser nosso mas buscamos levar até aos outros o que encontramos e reconhecemos ser de todos. E é percebendo o sagrado e agindo a partir da natureza altruísta e universal da vida que ajudamos o mundo a despertar para a realidade oculta e a viver nela de forma consciente.

(Joana Maria Pinho)

NOTAS:

[1] Reproduzido do livro “A Essência do Zen”, de Thomas Cleary (trad. e comp.), Editorial Presença, Portugal, 2002, 155 pp., p. 104.

[2] Da obra “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline, Ed. Teosófica, Brasília, 2002, 191 pp., p. 162.

[3] Do livro “A Essência do Zen”, p. 104.

[4] “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, edição online de www.FilosofiaEsoterica.com, p. 17.

[5] Reproduzido do livro “A Essência do Zen”, p. 105.

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 A mensagem acima foi publicada originalmente no e-grupo SerAtento, em YahooGrupos. 

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